Alta do dólar cria cenário favorável para estrangeiros no Brasil

Alta do dólar cria cenário favorável para estrangeiros no Brasil

Alta do dólar cria cenário favorável para estrangeiros no Brasil

Por Carlos Turdera

 

Enquanto cresce o pessimismo de empresários brasileiros diante do cenário recessivo que amargura o Brasil, investidores estrangeiros encontram diversas oportunidades de crescimento na economia local. Com uma expectativa de oscilação do dólar na faixa de R$ 3,75 e R$ 4,30, o momento é favorável para a adquisição de ativos.

 

Tal é, em resumo, o quadro que apresentou o economista brasileiro Lucas Sampaio para  empresários turcos que se reuniram na sede da Câmara de Comércio e Indústria Turco-Brasileira (CCITB), em 18 de fevereiro, para o seminário “Crise ou Oportunidade?”.  

O palestrante, que atuou na gestão de recursos pela Fitch Ratings, foi apresentado pelo Vice-Presidente da CCITB, o empresário Fatih Özdemir, como fazendo parte dos encontros mensais organizados nessa sede “para fortalecer o conhecimento dos associados a respeito do mercado e entender melhor o país”.

 

A reiteração de um ciclo

Após as palavras do Özdemir, o convidado fez um resumo da economia do Brasil, assinalando que “para entender o que está acontecendo hoje” seria preciso observar a trajetória da inflação, o efeito do plano Real e o boom das commodities.

“Na sequência recente desses fatores, há alguns pontos semelhantes com o que aconteceu no passado”, disse o analista. Para identificar o que ele chamou de “possible reiteração de um ciclo”, Sampaio caracterizou quatro fases na evolução do país:

 

  • Anos 80: estagnação e a chamada década perdida  

  • Anos 90: redemocratização e abertura da economia 

  • 1998-2003: crise cambial e diminuição da produtividade  

  • 2003-2015: boom das commodities, estagnação


Lucas Sampaio


 

Confianza dos estrangeiros

"Quando os brasileiros não têm dinheiro, os estrangeiros aportam o capital porque eles estão olhando para o longo prazo”, disse Lucas Sampaio, que tem publicado matérias em revistas especializadas, como Exame, a partir da sua experiência em períodos de crise.

Após mostrar que um 50% dos recursos da Bovespa pertencem a estrangeiros, ele diz que não há um movimento de saída desses capitais, a exemplo do que acontece em outros países em períodos de crise, mas de “aposta no Brasil”.

“É interessante, ainda, que o investimento estrangeiro aumentou nas épocas de crise no Brasil”, apontou o especialista. “Por conta da alta do dólar, o momento atual é uma oportunidade. As empresas brasileiras estão baratas e com muita dívida, o que as torna uma ótima opção para investidores estrangeiros para se posicionarem no mercado local”, resumiu.

Segundo ele, a oportunidade atual é de 90 bilhões de dólares em ativos que estão a venda em 8 setores.

 

Alta do Dólar

Quanto ao dólar, o experto (que leva dez anos trabalhando na análise de ativos, incluindo a moeda americana) avalia que, nos próximos meses, a cotação vai flutuar entre R$ 3,75 e R$ 4,30, e a retração do PIB chegará a -3,0% em 2016.

Sampaio disse que a crise vivida pelo Brasil sob o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff  é mais política do que econômica. “Caso acontecer uma mudança política, o dólar poderá cair, no máximo, até R$ 3,00. Não vai furar o teto nem cair além disso”, segundo ele.

 

Metas de inflação

A respeito da inflação, que em 2015 fugiu da meta estabelecida pelo Banco Central de 4,7%, o analista diz que “uns argumentam que foi por causa do excesso da demanda e há quem entenda que foi o repasse de costos pela cotação de derivativos”.

Independente do motivo, Sampaio prevé que 2016 terminará com uma inflação próxima de 7,2%. Fundamenta sua avaliação no comportamento observado a partir da crise global de 2008. “Não há mais espaço para piorar”, ele diz, assinalando também perspectivas de que a taxa básica de juros encerrará 2016 em 14,25%, mesmo valor que atingiu no ano anterior.

Fatih Özdemir


 

Os empresários turcos

No auditorio encontravam-se empresários da industria automobilistica, têxtil e do plástico, dentre outras.

“O corte do Finame (financiamento do BNDES para produção e aquisição de máquinas e equipamentos de fabricação brasileira) fez com que houvesse mais espaço para a reposição de peças”, diz Walter Romero, gerente comercial do NSK Group em Brasil, fabricante de autopeças. Şaban İnci, gerente geral da mesma companhia, apontou o dólar e os impostos como as principais dificuldades para a expansão dessa empresa.

Já Fatih Özdemir, de Aras Comércio de Produtos de PVC Ltda., coincidiu com a percepção de Sampaio a respeito de um ciclo que estaria se reiterando. “Levo quinze anos no Brasil e já vi o dólar chegar a R$ 4 (em 2002) e depois cair. Acredito que vai voltar a cair e depois a economia vai voltar a crescer. Agora é hora de marcar posições para estar preparados quando isso acontecer”, concluiu.